Procura-se um ‘viado’ comum – Parte II

[Leia também Procura-se um ‘viado’ comum – Parte I]

Caso Tiago: moreno lindo, alto, sarado, passivo e “colocado”

Conhecemos-nos no Scruff e a conversa fluiu de maneira bem natural para um sexo no carro dele algumas horas depois, o que pareceu apropriado, uma vez que nenhum de nós tinha local. Entretanto, naquele papo pré-foda, o vocabulário do rapagão tava tão incrustado de palavras carregadas de fitness que, literalmente, senti o peso daquela conversa.

Os termos treino, série e suplemento se repetiam a cada duas ou três orações, em uma cadência tão desinteressante que quase me fez esquecer o quanto Tiago era bonito e pular fora de seu carro, estacionando em frente a minha casa.

Quando eu achei que a coisa não poderia ficar pior, o rumo da conversa mudou instantaneamente para o tópico ‘balada’. Foi então que o cara começou a falar que curtia uma ‘colocação’. Ou melhor dizendo, drogas, do tipo ilícitas, do tipo que nem eu havia ouvido falar que existisse.

Pela empolgação ao descrever as raves e festas alternativas, eu tive certeza que de todos os caras que eu já tinha pegado até aquele momento, ele seria o que, com certeza, não me ligaria no dia seguinte, porque estaria chapado demais para lembrar que havia me prometido um telefonema.

Não havia expectativas de um depois dali, notei de súbito. E por que eu não desci do carro, desistindo da transa depois do papo fitness, ‘colocações’ e afins?

Primeiro, ele era bonito e assim que entrei no carro senti aquela coisa que todo gay sente quando encontra um cara pela primeira vez: uma mensagem cósmica que, de maneira bem simples, diz se o homem na sua frente tem o potencial de lhe dar prazer ou não.

Tiago o tinha!

E segundo, a julgar pelos seus tórax marcado sob a camiseta, ele deveria ter um corpo escultural. Definitivamente, esse tipo de oportunidade a gente não deixa passar. Ou eu ficava para conferir ou me arrependeria depois.

Na última mudança de assunto, a conversa, enfim, aterrissou no sexo, fazendo com que nós dois saltássemos para o banco de trás do carro já abrindo os zíperes de nossas bermudas.

Ele me chupou por algum momento até pedir para que o comesse sem fazer qualquer rodeio e cerimônia. Eu entendi o pedido e depois de colocar a camisinha, meti nele com força e um bocado de cuspe na mão.

Ele gritou.

– Tá doendo? – perguntei meio receoso.

– Delícia, cara – respondeu ele. – Continue.

Que bunda firme! Como nenhuma outra que já havia visto em minha vida. Dura e empinada, ao final de suas costas, era um vale de montes pequenos, que contemplei durante uns quinze minutos, sob a luz do poste da rua, antes de gozar.

Deus, como um homem tão lindo e com um corpo tão bonito podia ser apenas passivo? Me perguntava enquanto me certificava de que quanto mais passivos, mais musculosos os gays modernos tendiam a ser. Uma compensação?

Depois da pegação no carro, nos falamos por telefone mais umas duas vezes, porém a conversa tomava outro rumo sempre que se beirava mencionar o sexo. O porquê eu não saberei, no entanto, acho que tem a ver com minha vida sedentária, minha alimentação pobre em fibras e minha aversão às drogas.

Tiago nunca mais deu sinal, me convencendo que eu estava a cada dia mais distante de encontrar um cara simples, com uma vida comum e a capacidade de entender que sim, os gays podem ser afeminados efeminados, podem ter uma dieta rica em carboidratos e podem viver em um mundo careta, sem se ‘colocar’.

O Marcelo era quase isso. Talvez não.

Continua…

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Procura-se um ‘viado’ comum – Parte I

Aquela hora depois do almoço onde as suas colegas de trabalho reclamam da falta de tempo para fazer as unhas e discorrem horas sobre a nova dieta que é capaz de fazer você perder 3 quilos em uma semana, sem sacrifícios, sem passar fome. Essa conversa, embora enfadonha e repetitiva, não é pior do que as queixas rotineiras – e tão repetitivas quanto – a respeito da mal sucedida busca pelo homem perfeito.

– Eu fiquei completamente arrasada, porque ele foi muito carinhoso comigo o tempo todo – e então seus ouvido se preparam para a frase mais clichê de todas que segue essa constatação – e ele não me ligou no dia seguinte.

Quanto tempo essa pobre criatura vai levar para perceber que o cara só queria comer ela e pronto?

Nessas horas, enquanto as outras colegas concordam com toda e qualquer asneira sentimentalista a respeito da suposta cafajestagem, que já é esperada por todas as mulheres desde a perda de sua virgindade, eu me regozijo na praticidade e na também “suposta” falta de expectativa posterior a uma foda gay casual.

Vejamos bem.

Caso Samuel: minha última fast-foda, que cuspiu no prato que o comeu.

Fomos apresentados por amigos em comum e logo rolou um clima bom entre a gente. Aquele energia sexual boa e penetrante, sabe? Que faz você querer correr para o banheiro e ter aquele tipo de sexo meio sujo e delinquente, tipo Christiane F.?

Bem, não aconteceu bem assim. A coisa toda só foi rolar quase uma semana depois que nos conhecemos, na casa dele. Depois dele me mandar uma mensagem pelo Whats App de tom bem objetivo: “Tá afim de fuder” – afim junto! Embora decepcionado, respondi que sim.

O sexo foi ótimo, a química se confirmou e nossas vontades na cama se encaixaram perfeitamente. E, o melhor, conversamos depois do sexo e nenhum silêncio constrangedor se interpôs entre nós enquanto permanecíamos olhando para o teto, com uma certa quantidade de esperma escorrendo de nossas barrigas para o lençol da cama.

Nós rimos e trocamos alguns carinhos. Carinhos mesmo, coisa de quem tem afeto pelo outro. Daí, eu vesti minha roupa fui conduzido até a porta e nos despedimos como o maldito: a gente se fala.

Quem nesse mundo pode me explicar o acontece em sequência na vida de homens, que tiveram um sexo incrível, que dizem um para o outro: a gente se fala?

Eles deveriam se falar, não é? Foi exatamente isso que queria dizer para as meninas: amor você tem que ligar se ele não ligar. A vida é assim!

 Pois bem, alguém teria que tomar a iniciativa. O alguém em questão fui eu. Liguei para Samuel uns cinco dias depois da fast-foda, que até então era long.

Ele me atendeu na segunda tentativa, com voz em um tom baixo e disse que não podia falar comigo naquele momento porque estava em um C-O-M-P-R-O-M-I-S-S-O e quando pudesse me ligaria de volta. E foi naquele momento, simples assim, que eu entendi que ele não estava “afim”, junto, de nada comigo junto também.

Claro que ele jamais retornou minha ligação daquela noite. Depois perguntei há alguns dos nossos amigos em comum se sabiam o porquê do sumiço após um sexo tão bom? A reposta? Ele me achou muito efeminado e não fica com caras efeminados.

Eu quis dizer à colega que se o cara não ligou é porque você não é a garota perfeita que eles esperava que fosse. Assim como eu não fui para o Samuel e para o Tiago, e como o Marcelo foi para mim.

Caso Tiago: moreno lindo, alto, sarado, passivo e “colocado”

Continua…