Lembremos de Carimbão e da “família natural” diante da urna eletrônica

TEXTEIRA

Uma matéria do portal Alagoas 24 Horas, publicada nessa terça-feira (1º), diz que o deputado federal sergipano – eleito por Alagoas – Givaldo Carimbão, teria chamado de ‘aberração’ a ideia de as crianças não serem tratadas nas escolas pelo sexo que possuem’. “Esta é pura e simplesmente uma construção social, que pode assumir tantas variáveis quanto julgarem conveniente aqueles que querem implantar essa ideologia. O fim último dela é a completa subversão da sexualidade humana e da família natural”, disse o deputado em pronunciamento na Câmara, classificando ainda a ideia como sendo uma ‘revolução cultural sexual marxista’, conforme escreveu a jornalista Amanda Dantas.

O teor da fala do deputado se agrava ainda mais ao defender a manutenção da opressão dos sexos masculino e feminino, como sendo um benefício para a nossa cultura. “Nesta sociedade socialista ideal, sem a opressão do sexo masculino e feminino, as crianças serão educadas para serem bissexuais, a masculinidade e a feminilidade não serão mais naturais, e os próprios conceitos de heterossexualidade e homossexualidade deixarão de fazer sentido”, afirmou em total ignorância sobre o que é identidade de gênero e orientação sexual e, pior, atrelando essas questões a conotações políticas descabidas dentro do contexto universal da sexualidade humana.

Givaldo Carimbão é filiado a recente legenda PROS (Partido Republicano da Ordem Social) – criada em 2010 -, que conseguiu aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro do ano passado, mesmo sob acusações de fraudes na coleta de assinaturas. Antes de chegar à Câmara, Carimbão foi vereador em Maceió (1989-1992 / 1993-1996 / 1997-1999) e desde 1999 exerce sucessivos mandatos de deputado federal, o que provavelmente, indica uma possível candidatura para as eleições de 2014.

É importante ressaltar que o pronunciamento do deputado era uma crítica ao texto do Projeto de Lei  de número 8035 de 2010, o Plano Nacional de Educação (PNE), que tem entre suas metas alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os oito anos de idade até 2020, além de ampliar a educação escolar do campo, quilombola e indígena a partir de visão articulada ao desenvolvimento sustentável e à preservação da identidade cultural, por exemplo. Com o estado de Alagoas liderando os índices de analfabetismo no Brasil, é contraditório que um deputado eleito para representar os interesses dos alagoanos se oponha ao PNE.

Nessa terça-feira também, o blog Homos S/A publicou o artigo “Abaixo a tradicional família brasileira“, onde faz um reflexão sobre as raízes do conceito de família no Brasil, questionando as opressões que tentam minimizar o papel das mulheres e homossexuais como um todo dentro da sociedade, bem como as famílias com núcleo de formação LGBT. O artigo menciona a enquete sobre o Estatuto da Família, onde mais de 651.211 pessoas já votaram. De acordo com o resultado parcial – até o momento da publicação deste post -, 54,25 % dos votantes acham que sim, a definição de família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, e 45.37 % acha que não, um núcleo familiar pode ter uma formação diferente, como dois homens ou duas mulheres.

O resultado final que a pesquisa terá é preocupante, principalmente, depois de tantos avanços na luta LGBT no Brasil nos últimos anos, inclusive o casamento civil. É um claro retrocesso a negativa do conceito de família com núcleo de formação de pessoas do mesmo sexo e a fala de parlamentares que, equivocadamente, pensam estar defendendo a família brasileira, quando na verdade estão legitimando o ódio e o preconceito dentro de inúmeros lares da nação. Isso é o que podemos chamar de aberração.

Vote na enquete aqui

É importante que permaneçamos atentos a parlamentares que têm um discurso anti-LGBT, para que possamos deixá-los fora da Casa do Povo no pleito deste ano, como Carimbão e outros, que constantemente têm aparecido na mídia por causa de seus discursos homofóbicos. Se você ainda não votou na enquete da Câmara, esta é a hora que mostrar que você acredita que ‘família é onde o amor faz morada’, como diz o cartaz da página Cartazes e Tirinhas LGBT. Vote em NÃO, a família brasileira que preza pelo amor e pelo respeito à diversidade precisa de seu voto.

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