Aprendendo com Raimundo que homofobia tem cura

Edição da revista Veja Brasília que trouxe a reportagem que tocou Raimundo | Imagem: Reprodução

Edição da revista Veja Brasília que trouxe a reportagem que tocou Raimundo | Imagem: Reprodução

Durante essa segunda-feira (24), circulou pelo Facebook a carta de um homem que após ler uma reportagem da revista Veja Brasília sobre como vivem casais homossexuais naquela cidade, pôde compreender a condição homossexual do neto, de 18 anos, que saiu do armário para a família no último Natal. O senhor Raimundo Nonato Oliveira Campos, um ex-homofóbico, se tornou um exemplo positivo de que a ignorância só conduz ao ódio.

“Confesso que eu e mais seis amigos demos porrada em um homem em 1972 porque ele tinha tendências homossexuais”, escreveu Raimundo sobre seu passado homofóbico resultante do acúmulo de aprendizado heterossexista, que lhe causou mal por 62 anos e poderia ter lhe impedido de desfrutar do amor de seu neto pelo restante de seus dias. “Sou militar da reserva e fui criado em uma sociedade em que homem gosta de mulher”, resumiu.

Raimundo não nega que a revelação do neto foi difícil. “Foi um choque”, expressou antes de prosseguir dizendo qual havia sido a primeira dose do antídoto que tomou contra à homofobia. “Minha mulher, a mãe dele e eu passamos a ler muitos livros para entendê-lo”.

Parei alguns segundos para refletir sobre a natureza da palavra entender empregada por ele.

“Perceber pela inteligência”, diz o Aurélio sobre o ato exercido por Raimundo, a esposa e a filha. Como qualquer outro, ele poderia ter se agarrado a suas convicções, as coisas que havia aprendido ao longo de uma vida inteira serem normais, corretas, incorruptíveis. “Homem gosta de mulher”, poderia ter pensado ao ouvir seu neto, se fechando dentro de sua ignorância. Porém, o amor o ajudou a resolver entender.

Ao ler a carta, lembrei-me de alugumas palavras de Harvey Milk, político e ativista gay norte-americano, ao defender que a percepção pública sobre os gays seria melhorada se eles saíssem do armário. “Eu não posso impedir ninguém de ficar zangado, ou louco, ou frustrado. Posso apenas esperar que transformem essa raiva e frustração e loucura em algo positivo, de modo que duas, três, quatro, cinco centenas darão um passo a frente”, disse Milk.

E não isso o que aconteceu com o senhor Raimundo?

Naquele noite de Natal, um neto colocou uma chave na porta do armário do avó, que a girou e aos poucos foi se libertando do seu próprio armário – porque há muitos armários em nossas vidas, como escreveu Eve Kosofsky Sedgwick.  “Não é fácil abrir o meu coração, pois meus oito filhos, seis netos, irmãos, vizinhos e amigos vão ler”. Nesse trecho da carta, Raimundo se coloca como o primeiro de muitos que fazem parte do círculo de sua vida que dão um passo a frente para acabar com o preconceito, porque ele deixa a homofobia publicamente.

A foto de um casal de rapazes no altar foi o estopim para que Raimundo chorasse, sob a dor do arrependimento, os anos dentro do preconceito. “Que o Senhor e minha família me perdoem pela ignorância de quase uma vida. Meu neto, eu te amo”, concluiu.

Da curta narrativa da mudança de opinião e sentimento de um senhor de 62 anos, que certamente viveu muitas coisas em sua vida, tiramos a lição do amor e entendemos que acabar como a homofobia  é uma questão de educação e de esclarecimento. Daí tiramos ainda, que se governos se engajarem na educação das crianças e jovens a respeito da diversidade sexual e identidade de gênero, teremos uma sociedade diferentes, porque ninguém nasce ou precisa morrer homofóbico.

Para ler a carta na íntegra, clique na imagem abaixo: 

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