A Rússia antigay em vídeo

Cena da documentário Young and Gay in Putin’s Russia | Reprodução

Cena da documentário Young and Gay in Putin’s Russia | Reprodução

A revista britânica Vice produziu um documentário esclarecedor sobre as atividades recentes do movimento ativista LGBT na Rússia, desde que a lei antipropaganda gay entrou em vigor no país em junho do ano passado. Não é de hoje que a imprensa internacional têm aberto espaços para mostrar os desafios de se fazer algum tipo de manifestação homoafetiva pública ou mesmo de militância, sob pena de repressão policial.

Artistas como Elton John, Madonna e, recentemente, Rihanna já se manifestaram publicamente contra a descriminação promovida na Russia. Em sua conta no Twitter, Rihanna postou vários links em apoio a campanha “Princípio 6” que, apoiada no princípio olímpico que proíbe a descriminação, tenta acabar com as leis descriminatórias no país, sede dos jogos olímpicos de inverno este ano.

O documentário intitulado Young and Gay in Putin’s Russia (Jovem e Gay na Rússia de Putin, tradução livre), com duração de 30 minutos, é um retrato de uma população coagida pela força policial, resguardada por uma lei sem sentido, que tem como principal objetivo “prevenir que menores de idade tenham a impressão de que ser gay é normal”, escreveu a repórter da Vice, Milene Larsson, na descrição do vídeo.

O documentário pode ser assistido aqui: Young and Gay in Putin’s Russia

Partindo da repressão policial, o produtores mostram personagens que lutam ativamente para mudar a situação, estabelecendo um panorama do projeto antigay russo. Larsson deixa claro que ainda não é ilegal ser gay na Rússia, porém a repressão só tem crescido. Basta lembrar que uma lei semelhante havia sido aprovada na cidade de São Petersburgo, em 2012, e o projeto acabou chegando a Duma – câmara baixa do parlamento Russo -, sendo aprovado posteriormente no Soviete da Federação – câmara alta – com o aval do presidente Vladmir Putin.

Além de aspectos políticos sobre a instauração da lei, que já causaram mal estar diplomáticos entre a Rússia e a Alemanha, por exemplo. No ano passado o chanceler alemão Guido Westerwelle, que é abertamente gay, deixou claro que, do ponto de vista de seu país, a lei violou a convenção europeia de direitos humanos. O documentário lança um olhar sobre as relações do governo russo com a igreja Ortodoxa e busca de Putin por popularidade entre os fiéis.

É válido lembrar, dentro da configuração deste cenário que o a homossexualidade só foi descriminalizada na Rússia em 1993, após o processo de reformas políticas que tiveram início com o desmembramento da União Soviética, onde o a prática homossexual era considerada crime, sendo punida com pena de até cinco anos de reclusão.

Talvez, o mais curioso sobre a divulgação desse documentário é que tomei conhecimento dele através do aplicativo de relacionamento gay Hornet, que enviou uma mensagem – na madrugada desta quarta-feira (19) – para todos os seus usuários no mundo pedindo para que compartilhassem esse documentário em suas redes sociais como Facebook e Twitter.

A população LGBT não enfrenta este tipo de repressão no Brasil e pode ser que não entenda o que significa ser oprimida pelo braço armado do Estado, quando já se depara com um conflito demarcado dentro da sociedade. Muitos usuários brasileiros do Hornet vão ignorar a mensagem, porque a nossa realidade é outra. Mas acredito, que se parassem para assistir o documentário mudariam de opinião e defenderiam os seus por sentir na pele que homossexualidade é uma coisa normal e jovens e crianças precisam saber disso.

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