Como é mesmo seu nome?

A troca de mensagens começou com um “a fim de que?”, como geralmente começam todas as outras nessa infinidade de aplicativos que existem hoje em dia. Eu estava voltando para casa, quase no final de uma noite sem sucesso, daquelas em que você marca com o cara e na hora ele diz, na maior cara de pau, que não vai dar e então, você se dá conta de que teria tido mais prazer ficado em casa, vendo um filme, engordado no escuro do seu quarto.

Mas naquela noite a salvação veio do céu.

A caminho de casa percebi o alerta no celular. Curioso, achei que era o último boy, arrependido de ter me dado um bolo, reconsiderando a decisão de deixar a foda para um outro dia. Para minha surpresa, era um outro cara puxando conversa no Hornet – aplicativo de onde nunca havia pego ninguém. O Hornet é desses aplicativos no qual é possível criar um álbum com várias fotos e liberar a visualização a quem lhe interessar.

Permiti que o cara me visse e vi suas fotos também. Ele parecia bom, bem o meu número.

Trocamos algumas mensagens rápidas enquanto eu, parado ao lado de um poste, esperava que ele respondesse rápido e me escondia do interesse de um possível assaltante, que pudesse levar o terceiro celular que havia comprado no espaço de um ano.

ELE: Tá perto daqui?

EU: Estou.

ELE: Tá a fim de que?

Como se eu tivesse alguma outra alternativa entre as minhas respostas ao invés de dizer “foder”.

EU: Tem local aí?

ELE: Tenho, estou no hotel.

EU: Posso ir?

ELE: Você tá longe daqui?

EU: Tô perto, uns cinco minutos.

ELE: Seu número é Tim?

EU: Sim!

ELE: Diz aí.

E trinta segundos depois eu estava caminhado em direção ao hotel, pela Jangadeiros Alagoanos, falando com ele ao telefone. Ele tinha uma voz calma, tranquila, sem feminilidade no fim das palavras ou sons estranhos que me fizessem querer titubear e dar meia volta.

– Entra que está tranquilo. Tem muita gente no hall do hotel e ninguém vai perceber que você está subindo – disse com firmeza. – Nem espere o elevador, suba a escada. Estou no segundo andar. Você já entrou neste hotel antes? Sabe que a escada fica em uma porta vermelha ao lado do elevador?

Sim, eu sabia. Já tinha estado naquele hotel antes para fazer exatamente a mesma coisa que estava indo fazer ali agora: sexo com um desconhecido. Respondi que sim a tudo e obedeci todas as instruções que estava me dando. Peguei a escada e, quase sem fôlego, subi os lances até o segundo andar, enquanto falava qualquer coisa com ele ao telefone.

– Pronto, estou aqui no segundo andar.

– Cadê, não estou te vendo? – ele repetia ao telefone até que me avistou um pouco apressado saindo do hall do elevador. Fez um aceno com a mão e entrou no quarto, esperando à porta para apertar minha mão e me cumprimentar. De relance, notei sobre a mesa um crachá com a logomarca de uma companhia de aviação civil.

Depois disso a mão dele já estava apertando meu pau e tirando a minha camisa. Sem dizer nada, ficamos pelados – o que foi um alívio já que o quarto estava um forno -, e ele logo ofereceu seu pênis de tamanho mediano, porém grosso, para que eu chupasse. Aquilo mal cabia na minha boca direito, porém não me intimidei.

Ficamos rodando na cama de um lado paro outro passeado com nossas mãos um pelo corpo do outro, até quando ele resoluto anunciou que queria me comer. Olhei um pouco assustando, temendo a grossura de seu pau, mas então ele lembrou que não tinha camisinha.

– Cara, eu quero comer você, mas não tenho camisinha. Você tem alguma coisa? – disse enquanto segurava minhas pernas no ar e observava meu cu.

Não entendi o que ele quis dizer com “alguma coisa”. Não sabia se ele estava se referindo a alguma doença sexualmente transmissível, visto que parecia determinado e meter sem preservativo, ou ele se referia a um meio alternativo de proteção, um plástico, talvez?

Claro, que tinha comigo a camisinha que teria usado com o cara anterior, o que me fez sair de casa. Também tinha um lubrificante. Ele abriu um sorriso quando tirei minhas ferramentas do bolso da bermuda caída no chão. Só nessa hora observei que usava aparelho ortodôntico e que era realmente bonitinho, como notara a princípio pelas fotos.

Lhe entreguei a camisinha e ele me comeu e comeu bem, pedindo para que eu pudesse se ajoelhar em sua frente e ele gozar na minha boca.

Orgasmos distribuídos, corri para o banheiro, cuspi toda a porra na pia e limpei os respingos que caíram sobre meu peito. Notei que ele me observava da porta, contudo não o encarei, dei procedimento a minha higiene.

Saí do banheiro e ele estava em pé ao lado da cama. Enquanto eu recolocava o relógio no meu pulso, ele tentou puxar conversa, dizer que havia chegado há pouco mais de uma hora, que era comissário de bordo e já voltaria num voo bem cedo, pela manhã. eu não disse nada além de emitir um “hum” bem sonoro.

– Como é mesmo seu nome? Acho que eu esqueci de perguntar – disse ele quando viu que eu já estava pronto para deixar o quarto.

– É Rafael – respondi já estendendo a mão para dizer adeus.  – E o seu?

– Meu nome é…

(Nenhum fato concreto no salão)

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