Procura-se um ‘viado’ comum – Parte I

Aquela hora depois do almoço onde as suas colegas de trabalho reclamam da falta de tempo para fazer as unhas e discorrem horas sobre a nova dieta que é capaz de fazer você perder 3 quilos em uma semana, sem sacrifícios, sem passar fome. Essa conversa, embora enfadonha e repetitiva, não é pior do que as queixas rotineiras – e tão repetitivas quanto – a respeito da mal sucedida busca pelo homem perfeito.

– Eu fiquei completamente arrasada, porque ele foi muito carinhoso comigo o tempo todo – e então seus ouvido se preparam para a frase mais clichê de todas que segue essa constatação – e ele não me ligou no dia seguinte.

Quanto tempo essa pobre criatura vai levar para perceber que o cara só queria comer ela e pronto?

Nessas horas, enquanto as outras colegas concordam com toda e qualquer asneira sentimentalista a respeito da suposta cafajestagem, que já é esperada por todas as mulheres desde a perda de sua virgindade, eu me regozijo na praticidade e na também “suposta” falta de expectativa posterior a uma foda gay casual.

Vejamos bem.

Caso Samuel: minha última fast-foda, que cuspiu no prato que o comeu.

Fomos apresentados por amigos em comum e logo rolou um clima bom entre a gente. Aquele energia sexual boa e penetrante, sabe? Que faz você querer correr para o banheiro e ter aquele tipo de sexo meio sujo e delinquente, tipo Christiane F.?

Bem, não aconteceu bem assim. A coisa toda só foi rolar quase uma semana depois que nos conhecemos, na casa dele. Depois dele me mandar uma mensagem pelo Whats App de tom bem objetivo: “Tá afim de fuder” – afim junto! Embora decepcionado, respondi que sim.

O sexo foi ótimo, a química se confirmou e nossas vontades na cama se encaixaram perfeitamente. E, o melhor, conversamos depois do sexo e nenhum silêncio constrangedor se interpôs entre nós enquanto permanecíamos olhando para o teto, com uma certa quantidade de esperma escorrendo de nossas barrigas para o lençol da cama.

Nós rimos e trocamos alguns carinhos. Carinhos mesmo, coisa de quem tem afeto pelo outro. Daí, eu vesti minha roupa fui conduzido até a porta e nos despedimos como o maldito: a gente se fala.

Quem nesse mundo pode me explicar o acontece em sequência na vida de homens, que tiveram um sexo incrível, que dizem um para o outro: a gente se fala?

Eles deveriam se falar, não é? Foi exatamente isso que queria dizer para as meninas: amor você tem que ligar se ele não ligar. A vida é assim!

 Pois bem, alguém teria que tomar a iniciativa. O alguém em questão fui eu. Liguei para Samuel uns cinco dias depois da fast-foda, que até então era long.

Ele me atendeu na segunda tentativa, com voz em um tom baixo e disse que não podia falar comigo naquele momento porque estava em um C-O-M-P-R-O-M-I-S-S-O e quando pudesse me ligaria de volta. E foi naquele momento, simples assim, que eu entendi que ele não estava “afim”, junto, de nada comigo junto também.

Claro que ele jamais retornou minha ligação daquela noite. Depois perguntei há alguns dos nossos amigos em comum se sabiam o porquê do sumiço após um sexo tão bom? A reposta? Ele me achou muito efeminado e não fica com caras efeminados.

Eu quis dizer à colega que se o cara não ligou é porque você não é a garota perfeita que eles esperava que fosse. Assim como eu não fui para o Samuel e para o Tiago, e como o Marcelo foi para mim.

Caso Tiago: moreno lindo, alto, sarado, passivo e “colocado”

Continua…

Telma, eu sou gay!

A primeira vez que Pedro teve certeza que era gay foi quando tinha 15 anos e se sentiu a pessoa mais feliz do mundo por está namorando um cara do Rio de Janeiro, que conheceu no bate-papo da UOL. Aquele era o seu maior segredo no início dos anos 2000.

Ao voltar para casa, depois uma tarde na lan house onde conheceu João, ele percebeu que o mundo a sua volta estava completamente diferente. Havia em tudo algum sentido.

Pela primeira vez na vida, começava a entender a si mesmo e a diferença entre ele e os outros meninos que ficavam de pau duro a ver revistas de mulher pelada. Não que seu pau não ficasse duro também nessas ocasiões, mas o que lhe causava esse efeito era ver a excitação dos outros meninos.

Pedro sempre foi um pouco retraído no que diz respeito a romance. Resultado de alguns traumas que colecionava desde cedo. Tinha tido algumas experiências frustradas de amor platônico na infância que, lhe ensinaram que amar é uma tarefa árdua para os heterossexuais, imagina para os gays.

Quando estava cursando o segundo ano do ensino fundamental, se apaixonou perdidamente por uma menina chamada Talita. Alta, magra de olhos verdes e um cabelo preto, liso e brilhante. Ela parecia a luz do dia de Pedro na escola. Ele a observava e admirava a maneira como ela se movia, como colocava o cabelo de maneira delicada atrás da orelha e sorria fechando olhos.

Aquilo era paixão, pelo menos, era o que ele pensava. E talvez fosse mesmo.

Talita nunca deu a mínima para ele ou para seus esforços sem sentido de chamar sua atenção, preferindo ser cortejada pelos outros garotos da escola, que eram mais esportistas, mais masculinos, enfim, mais heterossexuais.

A Pedro, restava apenas a tristeza de sua primeira rejeição heterossexual e as aventuras com os garotos da vizinhança.

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